13 janeiro, 2011

A ARTE MARGINAL NAS CAPAS DOS DISCOS

Até meados da década de 1960, as capas dos discos tinham exclusivamente a função de proteger da poeira e dos arranhões as “bolachas pretas", assim carinhosamente chamados os discos de vinil. Mas a partir de 1967, depois do artista plástico Andy Warhol ter exposto na capa de um disco da banda americana Velvet Underground uma simples banana amarela, álbuns de grandes grupos de Rock passaram a ter o seu valor estético modificado, ao agregar valor artístico nas capas de seus álbuns. O que antes era utilizado como uma mera embalagem, se tornou uma obra artística da embrionária cultura pop.

Tido como um dos precursores do Movimento Pop, Warhol era visto na época, ora como um gênio, ora como um vigarista fora do comum. Gênio ou vigarista, Warhol foi sem dúvida um revolucionário em transformar utensílios de uso cotidiano em arte.

Com o novo status de obra de arte, as capas passaram a retratar fases de inspiração da banda ou do artista, servindo também como produto comercial.
Grupos musicais com perfis psicodélicos, como Pink Floyd e Led Zeppelin procuravam retratar em seus álbuns artes mais abstratas, a exemplo do Houses of the Holy de 1973 do Led Zeppelin, onde ficou claro a falta de lógica na ilustração da capa

Já em 1971, no álbum IV, a banda britânica resolve assumir uma ilustração naturalista e ao mesmo tempo sombria mostrando um velho carregando lenha num campo inóspito.

Esta arte popular contemporânea foi pouco aceita na época e ainda é por muitos intelectuais das artes. Isso por ela ser considerada parte integrante de um produto da cultura pop, o Rock and Roll, popular em muitos países do mundo. Dessa forma, o conceito de arte popular se choca com os princípios eruditos de uma obra tradicional, de privilégio de poucos.

O sociólogo francês, Pierre Bourdieu (1930-2002), um dos críticos mais conservadores das artes, afirma em algumas de suas teses acadêmicas, que para se reconhecer uma obra de arte é necessário ter aprendizado; estudo. Mas não somente conhecimento comum adquirido nas escolas e faculdades de forma superficial que conhecemos.

O entendedor, ou criador de arte, para ser reconhecido como tal, deve saber decifrar os códigos, ou seja, a linguagem convencionada por uma classe aristocrata intelectual, responsável por dizer o que é ou não arte. Esse mesmo grupo se contradiz quando aceita patrocínios de instituições burguesas que só visam retorno financeiro e deixam a visão estética em segundo plano. Dessa forma, ficam de fora desse rol, artistas oriundos de matrizes sem tradições intelectuais com produções independentes.

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