19 setembro, 2019

A PONTE DA AMIZADE

Todos os textos que li, até agora, só abordam o viés financeiro da Ponte Salvador-Itaparica. Preocupa-se com a mobilidade de quem mora na Ilha e trabalha em Salvador e vice-versa, mas não se observa o impacto ambiental e social na Baía de Todos os Santos, o desmatamento do que sobrou da Mata Atlântica do outro lado quando a especulação imobiliária tomar conta de tudo na terra de João Ubaldo Ribeiro levando com ela o turismo predatório. Os mais ricos passarão a morar lá e trabalhar aqui, pagando somente o pedágio da ponte, ou seja, se Itaparica e "ilhas vizinhas" já estão degradadas com a dificuldade de acesso, insegurança, e custo alto da travessia, com o acesso fácil só irá acelerar o desmatamento na região. 

Imóveis abandonados nos últimos 20 anos por veranistas após os "investimentos" dos governos baianos na Linha Verde, predando toda costa, de Jauá e Barra de Itariri, valerão uma fortuna. E o nativo, em algum momento, será cooptado pelos donos do capital com a intenção de construir um grande condomínio com praia privativa, ou um resort com pedalinho na lagoa. 


Será que é tão difícil observar por esse prisma? A divergência entre governo e prefeitura não se dá sobre impactos físicos, mas arrecadatórios, ou seja, quem ficará com o quê. Sempre foi assim e continuará sendo, até quando descobrirem que o dinheiro não se pode comer..