20 junho, 2008

DIFUSÃO DA CULTURA PELA TV FOI TEMA DE DEBATE NA FACULDADE DA CIDADE

Foto: Anna Carolina Lima

Wagner Ferreira

A Cultura e sua difusão dentro do Jornalismo foi tema de discussão nesta quarta-feira (18) na Faculdade da Cidade dentro do I Seminário de Jornalismo Especializado em Cultura। A turma do 5º semestre do curso de Jornalismo/noturno foi a responsável pela organização do evento, e reuniu nomes importantes dentro desse segmento, como o da presidente do grupo de percussão feminina Didá e Jornalista, Viviam Caroline; o artista Ed Bala, e a conceituada jornalista Delza Schaun, produtora de diversos documentários voltados para a Cultura.

O debate foi iniciado por Ed Bala, que contou um pouco de sua trajetória como artista, garoto propaganda e cantor, aproveitando para apresentar suas músicas compostas pelo grupo Ed Bala e Os Bala na Agulha, banda de forró a qual faz parte. Bala descontraiu os presentes cantando duas de suas músicas iniciando a noite com bastante irreverência. Depois foi a vez de Viviam Caroline, a frente da Didá há 15 anos. Caroline veio para a palestra com a banda, e falou da dificuldade da mulher em aparecer na mídia de uma forma que não seja apelativa, expondo o corpo, deixando outros atributos mais importantes a margem.

Ela defendeu mais espaço para os eventos culturais locais dentro das programações das TV’s, bem como seja retratado com mais veracidade, e não de forma alegórica, formato bastante usado pelas TV’s predominantemente comerciais. “Acho que as manifestações culturais na Bahia são descaracterizadas já nas difusões da maioria das TV’s do Estado, com exceção da TVE, que procura transmitir a Cultura em sua essência, mostrando sua importância religiosa e não só seus festejos,” criticou Caroline.

Delza Schaun deu uma aula de história da Cultura baiana, transmitida através da TV. Schaun lembrou nomes como o do fotógrafo francês, Pierre Verger e Odorico Tavares, principal representante dos Diários & Associados no Estado, responsável pela implantação da primeira emissora de televisão da Bahia. A jornalista também respondeu aos questionamentos dos alunos, inclusive sobre o Candomblé, que junto com a capoeira, foi perseguido pelas autoridades baianas com a conivência da imprensa até a década de 50.

A responsabilidade das emissoras de TV’s em transmitir programação local, seguindo determinação do Ministério das Comunicações, também entrou na pauta de seu discurso. “O Candomblé, por exemplo, só foi inserido na programação das Tv’s depois que artistas como Caetano Veloso, Gal Costa e Maria Bethânia mostraram que se identificavam com a religião. Antes, somente a Cultura Nordestina era retratada com o filmes de Glauber Rocha”, explicou. A noite de debates foi encerrada ao som dos tambores da banda Didá, que estremeceram as paredes do Edifício Nobre.

Foto: Anna Carolina Lima
Banda Didá em apresentação no auditório da Faculdade da Cidade
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