03 abril, 2010

“FREE LANCER?” É O CACETE! VOCÊ É BISCATE MESMO!


Que mania de gringo essa dos nossos colegas de comunicação que, depois de receber um chute na bunda da empresa a qual era efetivo e fudido, ir aumentar a fila do desemprego por aí, achar de se classificar como “free lancer”, só para amenizar a sua condição de fazedor de biscate; "biscateiro".

Infelizmente, nenhum profissional está livre do processo de enxugamento que vivem as redações e assessorias de comunicação, mas, do fundo do meu mal querer, vibro quando isso acontece com o pró-ativo da empresa; o prestimoso, que acha que se fizer o serviço de três irá o sobreviver a cortes na empresa. Coitado! É um dos primeiros que pulam fora.

Frustrado, e ainda sonhando em ser readmitido, volta de tempos em tempos à firma fingindo ir rever os colegas. Aí vem todo aquele papo de incentivo e consideração pelo companheiro mandado embora por quem ainda não foi despedido:

-Oi fulano, como está? O que anda fazendo? E o novo emprego? Já encaminhado?

Para ficar por cima da “carne seca”, o “chutador de latas” responde:

-É, to com alguns contatos aí, mas não vou querer. Tô de saco cheio disso tudo; bater cartão, entrar e sair no horário estipulado pelo chefe. Agora trabalho pra mim, tô fazendo uns “freelas” aí.

Tomar no c... com esse termos gringos. Para ser mais claro, e poder dar uma iluminada na cabeça sebosa desse povo, essas pessoas acham que fazer biscate é ser free lancer, a exemplo do fotógrafo, esse sim free lancer, Peter Parker, dos quadrinhos da Marvel.

Na condição de Homem-Aranha, alter ego de Parker, ele ganha a vida fazendo fotos de suas ações contra os bandidos. Depois as vende ao “pão duro” do J. Jonah Jameson, editor do Clarim Diário, jornal que na ficção está situado na ilha de Manhattan, em Nova Iorque.

Ao contrário de Parker, o nosso free lancer brasileiro não ganha $ 300 por fotografia, nem por meia dúzia delas. O biscateiro nacional tem mais é que se contentar com R$ 50 reais por dia, e olhe lá se tirar isso.

A saída não é outra: buscar empreender, e com boas idéias, suas e de amigos, com especialidades distintas, abrir uma empresa, o que muito poucos de nós jornalista sabemos fazer.

Mas não ha outra alternativa nesse mercado cada vez mais cruel, competitivo e que valoriza a mão de obra barata, que muitas vezes está associada à mão de obra pouco competente.

É isso ou o candidato à “profissional liberal”, que de liberal só tem o fato de estar liberado de pagar as contas - e por isso vir a ser convidado a fazer parte do clube SPC/Serasa - tome rumo, cate o que ainda lhe resta de FGTS, e corra para a “Ilha do Rato” para garantir sua Ford Pampa, modelo 1989. Quem sabe assim não dá pra ganhar algo melhor fazendo “frete” na frente da feira de São Joaquim, porque tá fácil não...


  
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